Bromélias, facilitadoras da biodiversidade

04/02/2002

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 A pressão humana sobre ambientes naturais de Niterói poderia diminuir com a reposição de bromélias, que garantem a sobrevivência de uma série de insetos e pequenos animais. 

A Serra da Tiririca abrange uma área de 19,125 km2 nos Municípios de Niterói, Maricá e São Gonçalo (Estado do Rio de Janeiro), e abriga uma parcela valiosa da fauna e da flora original de Mata Atlântica. Entretanto, esta valiosa área vem sendo alvo de destruição por pressões humanas negativas, como projetos imobiliários, caça, extração ilegal de plantas e queimadas, sendo urgente a necessidade de preservação deste ecossistema. 
A Serra possui em média cerca de 250 m de altitude e seu ponto culminante tem 412 m (Morro do Elefante). Seu relevo é bastante acidentado, formado por rochas metamórficas bem erodidas. Nas áreas mais inacessíveis estão os remanescentes de Mata Atlântica e as áreas mais próximas ao mar são caracterizadas por vegetação secundária em diferentes estágios de regeneração. A composição florística e faunística é bastante variada, possuindo espécimes raros na região. 
A população que habita as áreas que circundam a Serra da Tiririca está diretamente associada aos seus problemas e perturbações, podendo vir a sofrer as conseqüências. Devido a destruição da vegetação local, o número de nascentes e córregos que alimentam os brejos da baixada e a Lagoa de Itaipu, vem sofrendo regressão acelerada nos últimos anos, muitas vezes só possuindo água corrente nos meses de maior pluviosidade. 
Dentre outras espécies vegetais as espécies da família Bromeliaceae são muito abundantes na área de mata atlântica da serra. Atualmente as bromélias possuem um alto valor comercial devido a sua extrema beleza, o que faz com que a procura por plantas desta família seja cada vez maior. No entanto, a extração ilegal de bromélias da natureza repercute no declínio da riqueza de espécies de animais e de outras espécies de plantas. 
As bromélias funcionam como facilitadoras da biodiversidade, pois o fato delas terem as folhas espiraladas, em forma de vaso, faz com que armazenem a água da chuva e umidade, fazendo com que os animais e outras espécies de vegetais dependam direta ou indiretamente das bromélias para sobreviver. Os pequenos mamíferos ainda existentes na serra procuram as bromélias em busca da água para beber. Os anfíbios precisam da água e da umidade no interior da bromélia para depositarem os ovos e liberarem os girinos. Alguns insetos dependem das bromélias para completarem seus ciclos de vida ainda na forma larval. Pequenos sapos e alguns lagartos procuram abrigo entre as folhas para se protegerem de alguma situação de perigo ou contra o excesso de calor e, ainda, os beija-flores e alguns morcegos se alimentam do néctar produzido nas flores das bromélias. A umidade no interior das bromélias também serve de sítio para a germinação de sementes de outras espécies de plantas que, se estivessem em local seco, não germinariam. 
As bromélias podem viver fixadas sobre os troncos ou galhos de árvores pois, ao contrário do que muitos pensam, elas não são parasitas, mas absorvem os nutrientes, que estão dissolvidos na água, através de células especializadas, presentes nas suas folhas e utilizam as raízes apenas para fixação no substrato. Apenas algumas espécies terrestres ainda possuem as raízes funcionais. 
A produção de bromélias e orquídeas nativas da Serra da Tiririca por reprodução natural, através de obtenção de sementes ou de estolões, vem amenizar os problemas de declínio da biodiversidade local, através da reimplantação destas espécies em suas áreas naturais. As bromélias atuam como espécies pioneiras, iniciais no processo de sucessão e regeneração natural da mata, atraindo os animais e propiciando o aparecimento de outras espécies vegetais. 
Luciana Cogliatti de Carvalho é bióloga e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora de Biologia do ensino médio. 
 
Sérgio de Mattos Fonseca (aprec@aprec.org.br) é economista, mestre em Ciência Ambiental pela Universidade Federal Fluminense e diretor da Associação de Preservação dos Ecossistemas Costeiros (Aprec) (http://www.aprec.org.br) e professor convidado da Universidade Cândido Mendes e da IBMEC Business School. 




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