Luta da comunidade garante conquistas

16/10/2001

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Djalma Weffort
 

A luta da comunidade ambientalista tem consolidado algumas conquistas essenciais para a qualidade de vida e manutenção da biodiversidade na região do Pontal do Paranapanema e oeste paulista.  De 1990 para cá, foram protegidos ou estão em vias de proteção algo em torno de 40 mil hectares de matas e várzeas conservadas nos parques estaduais do rio do Peixe e Aguapeí, no refúgio de vida silvestre da foz do rio Aguapeí e na implantação da reserva florestal da Lagoa São Paulo.

No parque estadual do Morro do Diabo, o nosso mais importante cartão-postal da área ambiental, inúmeras pesquisas estão sendo produzidas pelo governo do estado e por organizações não-governamentais que investem recursos e pessoal para conhecer as riquezas do maior remanescente de Mata Atlântica do Interior em São Paulo. Orgulho da população regional, que o quer bem conservado, o Morro abriga o maior estoque de peroba-rosa do Estado e protege o primata mais ameaçado do mundo, o mico-leão-preto, espécie endêmica, isto é, aquela espécie que existe naquele local, e em nenhum outro lugar do Planeta.  A região abriga também os últimos exemplares do cervo-do-pantanal em vida livre no Estado de São Paulo.
Por outro lado, os mecanismos de fiscalização e controle ampliaram a sua atuação com a capacitação de técnicos, mais homens e abertura de novos escritórios. O Ministério Público se fortaleceu com a criação da Promotoria Regional de Meio Ambiente que engloba uma área de abrangência em nível de bacia hidrográfica.
Na área de educação ambiental, multiplicam-se as iniciativas das escolas e universidades que trazem ao debate questões locais como impactos hidroenergéticos, destinação do lixo, controle de erosão, lançamento de esgoto, poda de árvores, caça, queimadas e outros temas do cotidiano da população.
Novos desafios - Mas os desafios são muitos e a luta não pára aí. Entre outras bandeiras, os ambientalistas lutam pela criação da Estação Ecológica do Mico-Leão-Preto que tem como objetivo a proteção de quatro importantes fragmentos de Mata Atlântica, remanescentes da Grande Reserva do Pontal, unidade de conservação com 243 mil hectares, criada pelo governo do Estado, em 1942, hoje reduzida a 15 mil hectares, isto é, 6% de sua antiga área original. 
Outras propostas dos ambientalistas são a criação da Área de Preservação Ambiental – APA do Alto rio Paraná, na área de influência do lago de Porto Primavera, a regularização da APA das várzeas e ilhas do rio Paraná, a participação do Brasil nas discussões do corredor de biodiversidade do rio Paraná e a adoção de medidas que evitem queimadas e erosões. Outro capítulo de destaque na defesa dos nossos recursos naturais é o combate a pesca predatória que, praticada indiscriminadamente com petrechos de emalhar, está vitimando as espécies nobres dos rios da região.
É preciso ainda reativar a luta pela recuperação do rio Santo Anastácio, o mais urbano rio da região, infelizmente à beira da destruição em conseqüência do desmatamento, má-utilização do solo e despejo de efluentes domésticos. Na defesa dos valores ecológicos, é necessário finalmente adotar a educação ambiental como matéria interdisciplinar, viva e dinâmica que leve os nossos jovens ao contato com a natureza e reflexão sobre a sua própria existência na única casa que temos – o Planeta Terra.




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