Rompendo o contrato

18/02/2002

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Peter Mix *

 

Na natureza, o homem é apenas uma
parte entre as muitas partes,
Nem mais, nem menos importante que
Uma folha qualquer

                                             Claude Monet

 

Neste magnífico Planeta Terra, a vida começou há mais de 3 bilhões de anos. Eram inicialmente seres de estruturas simples, as macromoléculas e os unicelulares. Estes evoluíram até os dias de hoje para uma espantosa multitude de seres, chegando à criatura mais complexa de todas, o homo sapiens. Você e eu.
Espantosa multitude? Quanto? Quantas espécies você conhece? Cem? Tente fazer um levantamento aproximado! Mil, quando muito?
A ciência, nos últimos duzentos anos, com o esforço hercúleo de gerações de grandes estudiosos, como Linné, Cuvier, Darwin e outros, identificou a catalogou quase 2 milhões de espécies...e somente 2 milhões. No entanto, a existência de no mínimo 10 milhões de seres diferentes já é considerada certa.
Estimativas recentes, baseadas em coletas de insetos no dosel das florestas úmidas, principalmente na Amazônia, e novos conhecimentos de microfauna dos solos, indicam números que podem ultrapassar, 50 milhões de espécies diversas. Esta multitude realmente espantosa nos dá a medida do que chamamos de biodiversidade.
Partindo da primeira criatura que surgiu no Planeta, até as miríadas hoje existentes, a evolução nunca foi gradual e linear, mas sim, o calendário cósmico, impresso nos fósseis encontrados, afla de cenários cataclísmicos, que repetidamente impactaram sobre a biosfera, dizimando as espécies mais vulneráveis às conseqüentes mudanças acontecendo em seu redor.
Os bioarqueólogos apontam para a era cambriana, há 440 milhões de anos, como a era da primeira extinção em grande escala. A segunda onda de extinção deu-se há 370 milhões de anos, no período, ordovaciano e assim sucessivamente em ondas rítmicas, com intervalos mais ou menos iguais de cada 70 milhões de ano, até a hecatombe mais famosa e incontestavelmente mais devastadora, do chamado período cretáceo, há 65 milhões de anos, que pôs fim ao reino emblemático e “cinematográfico” dos dinossauros. Neste episódio, 60% das espécies terrestres e aquáticas da época foram banidas do mundo vivo e os seres que conseguiram chegar aos nossos dias, cujos ancestrais, portanto, tiveram a ventura de escapar das patas e mandíbulas daqueles colossos e do provável cataclisma, saíram de seus nichos ecológicos pra chegar a atualidade, constituindo assim os representantes que se somam na nossa atual biodiversidade.
Em sumo, desde os primórdios da formação da vida, até o presente, 99% da vida planetária, perfazendo bilhões de espécies evoluíram e foram novamente eliminados da superfície terrestre.
Agora, uma nova era de extinção está em curso! A origem e a dinâmica desta nova hecatombe, entretanto, é bem outra. Isso nós veremos na próxima edição.


*Peter Mix, alemão de nascimento e brasileiro por adoção, é engenheiro aposentado da Siemens, fotógrafo de meio ambiente, apaixonado pela natureza e sócio-colaborador da Apoena





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