Ipê-roxo florido em uma avenida chamada Ipês

23/06/2009

Djalma Weffort

Tamanho da fonte: Diminuir Fonte  Aumentar Fonte

Ao menos dois exemplares de ipê-roxo exibem as suas belas floradas, nesse início de inverno chuvoso, na avenida que leva o nome de...Avenida dos Ipês!  Isso mesmo, as duas árvores estão na calçada da casa número 48, quadra 7, da avenida que inicia em outra avenida – a Presidente Vargas – e se estende até a altura da rotatória do Anel Viário, que dá acesso à cidade de Presidente Epitácio. No trajeto, encontramos a Praça do Redondo (cujo nome original é Praça da Árvore) onde também desponta um belo ipê-roxo florido!  
A Avenida dos Ipês tem uma extensão aproximada de mil metros. E, apesar do nome que homenageia uma das mais belas árvores brasileiras, a maioria das espécies ali plantadas é a exótica oiti, que, embora muito vistosa, não possui a florada tão exuberante quanto o nosso ipê-roxo!

Aliás, o Brasil – que, diga-se, tem o nome emprestado de uma árvore, - bem que poderia aprovar uma lei que permitiria que todo gestor público pudesse dar o nome de uma rua dedicada a uma espécie da nossa flora. Assim, imaginem vocês, a Avenida dos Ipês, com ipê-amarelo, branco, rosa e roxo!  Ou então, a Alameda das Perobas, com.....perobas! A Alameda dos Marfins....E assim, sucessivamente, poderíamos homenagear o jacarandá-mimoso, aroeirinha, paineira, canelinha, cabreúva, pau-formiga, pitanga, jerivá e buriti e tantas outras espécies do Brasil, apropriadas para a arborização urbana, como já nos ensina o mestre Harri Lorenzi, no livro Árvores Brasileiras.

O Brasil é um país mega-diverso em espécies arbóreas mas, por razões histórico-culturais, tem um povo que gosta de plantar árvores originárias de outras regiões e até mesmo de outros países, as tais exóticas. Nada contra oiti, fícus, manguba, alfeneiro, pata-de-vaca, murta, palmeira-imperial e tantas outras trazidas pelos colonizadores - mas porque não plantarmos árvores brasileiras em ruas, avenidas, parques e praças públicas? O fato da flora nativa ser resultado de um rigoroso processo de seleção natural, durante o qual passou milhões de anos interagindo com o ambiente – isso por si só já justificaria a escolha dessas espécies para arborização das cidades. 

Além das árvores, as ruas – ao invés de homenagear tanto figurões, coronéis, presidentes e capitais – poderia também receber nomes de aves como bem-te-vi, beija-flor, curió, sabiá, coleirinho, sanhaço, bigodinho, bicudo, canarinho-da-terra, pássaro-preto, azulão, verão, acauã, guaxe, joão-de-barro, garça, alma-de-gato, martin-pescador, perdiz, mutum, irerê, maguari, paturi, anhuma e outras da nossa também grande diversidade avifaunística. Já ‘pensia’ – exclamaria o meu filho Eduardo Ettore – misturar na cidade tanta beleza das árvores brasileiras floridas com o maravilhoso canto das nossas aves!

   





« voltar para a página de artigos
A Apoena | Projetos | Artigos | Notícias | Biomas | Atividades | Especiais | Blog | Vídeos | Contato

Copyright © Apoena - Todos os direitos reservados - desenvolvido por:Luz Própria