Conferência do Clima em Copenhague

14/03/2010

Roberto Valverde

Tamanho da fonte: Diminuir Fonte  Aumentar Fonte

O que vemos em nossos dias na mídia internacional, é uma grande discussão em torno dos graves problemas que ocorrem em nosso planeta. A violência atingiu patamares nunca imaginados, a enorme produção de lixo de todo tipo que produzimos para satisfazer nossa maneira de viver, da miséria e da fome por que passa o mundo, falta de saneamento básico e educação sanitária, trazendo doenças adicionais por nossa incúria.  
Entre os inúmeros problemas, o meio ambiente talvez seja um dos temas mais discutidos. O aquecimento global, a desertificação das florestas, a escassez de água são aspectos enfocados insistentemente pela mídia em geral, razão pela qual, em tempos modernos, ninguém mais poderá alegar que ignora essa problemática criada pelos próprios homens. Essas campanhas se alastram e as pessoas assustadas ou conscientizadas da situação vêm se preocupando em assumir individualmente postura de respeito à natureza, separando o lixo doméstico, comprando produtos e embalagens biodegradáveis, utilizando menos sacos plásticos, economizando água, enfim, colaborando individualmente dentro das possibilidades e limites que cada consumidor pode realizar.
Infelizmente, o mesmo não acontece com as autoridades de alguns países. Criou-se uma enorme expectativa para a Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro de 2009, logo transformada em frustração para os defensores do meio ambiente e para os cidadãos do mundo todo. Cerca de 35 mil pessoas se credenciaram para a reunião climática, mas a sede do encontro, o Bella Center, tem capacidade para apenas 15 mil. Diante das pressões, o número foi elevado para 18 mil. Milhares de pessoas ficaram do lado de fora em uma temperatura de zero grau.
Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, foram os principais criadores de entraves para o acordo climático entre os 193 países participantes da 15ª Conferência do Clima. O americano Barack Obama, que tomou seu lugar no púlpito, criticou os países que não aceitam se submeter à verificação de suas ações – uma crítica velada à China. É comum os países desenvolvidos usar esse argumento para justificar sua inação. Em represaria, o premiê chinês faltou aos dois encontros improvisados pelos EUA e enviou um emissário. É claro que essa atitude enfureceu líderes europeus e Barack Obama. No entanto, esse era o objetivo. 
Depois de duas semanas de negociações entre líderes, Philip Weech, presidente da 15ª conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, anunciou que “tomou nota” do documento apresentado por um grupo de países liderado pelos Estados Unidos. Na prática, isto significa que não houve acordo. Diversos líderes se manifestaram contra o texto apresentado que não prevê metas obrigatórias de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, até 2020. Copenhague, mais uma vez, confirmou o desinteresse da maioria em agir a favor da humanidade. Nenhuma medida prática foi sugerida.
Enquanto isso, as emissões continuam a subir. No ritmo atual, se chegarem ao dobro do nível da época anterior à industrialização, haverá um aumento médio de temperatura de 3 graus centígrados neste século, o que pode causar sérios impactos. Estudo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), publicado recentemente, indica que as mudanças climáticas podem chegar a reduzir em até 19% o Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados por problemas climáticos, até 2030. Segundo previsões oficiais sobre Mudanças Climáticas, a média global de elevação dos oceanos deverá atingir 1,9 metros até 2100. A subida das águas salgadas causaria inundações em grandes áreas ao leste da Inglaterra, Nova York, Londres e Bangladesh - entre outras localidades. O aquecimento dos oceanos e o derretimento das geleiras são os grandes causadores da elevação das águas do mar, mas a devastação do meio ambiente está por trás dessa tragédia anunciada. Se nenhuma medida drástica for colocada em ação, a previsão se confirmará. As cidades litorâneas do Brasil também correm risco.
De acordo com as últimas informações divulgadas pela Organização Metereológica Mundial (OMM) e Met Office, agência metereológica do Reino Unido, 2009 ficará registrado entre os anos mais quentes da história. De acordo com os estudos comparados, foi o quinto ano mais quente do planeta. O aquecimento global provocado pela poluição e a devastação do orbe são os responsáveis pela elevação da temperatura. De acordo com a OMM, a Terra sofre um processo de aquecimento que irá causar danos irreversíveis.
“Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra” – é umtrecho da famosa carta do chefe índio Seatle ao presidente norte-americano Franklin Pierce, em 1854.

 

Roberto Valverde é perito criminal, concursado pelo Governo do Estado, com curso superior de Criminalística e ex-membro do Conselho Superior no Sindicato dos Peritos Criminais de São Paulo E-mail roberto.valverde@uol.com.br





« voltar para a página de artigos
A Apoena | Projetos | Artigos | Notícias | Biomas | Atividades | Especiais | Blog | Vídeos | Contato

Copyright © Apoena - Todos os direitos reservados - desenvolvido por:Luz Própria