Diga não à pesca predatória


Djalma Weffort


Diga não à pesca predatória

Pescadores aglomeram-se no rio Paraná, na região de Castilho, em São Paulo


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Diga não à pesca predatória

Dois mil e 500 quilos de peixes, 3.500 metros de malha de pescar, uma parte de uma capivara e dois pescadores presos. Este foi o saldo de uma operação promovida, em 2001, pela Polícia Federal nas águas do lago da usina de Porto Primavera. Comandada pelo delegado José Edílson de Freitas, com apoio do Ibama e da Polícia Ambiental, a operação, que mobilizou 11 agentes federais, barcos, veículos e muita fita métrica para aferir as medidas dos peixes apreendidos, prova que a pesca predatória deve e pode ser combatida. 

Obviamente que para o sucesso da operação a fiscalização contou com a necessária participação da sociedade, comércio, ambientalistas, Ongs, Ministério Público, prefeituras e população em geral que, desde a formação do lago, vem se mobilizando contra a verdadeira matança de peixes que ocorre nesse trecho do rio Paraná.
Já que a pesca predatória afeta a economia do município e prejudica o turismo – raciocinam os manifestantes - e preciso que haja pesquisa e estudos que encontre uma fórmula que concilie a sobrevivência dos pescadores artesanais com a preservação das espécies do rio Paraná. “Mas o que vem ocorrendo é que o aparente aumento de peixes provocado pela formação do lago vem atraindo pescadores de todos os cantos do Brasil que, com rede de emalhar, pescam de forma indiscriminada pescado que, na maioria das vezes, são vendidos a frigoríficos para ração de gato e cachorro e clubes de pesque-e-pague”, diz José da Silva, do IBCAmb  (Instituto Brasileiro de Ciências do Ambiente), um pescador voraz no passado que hoje vem se notabilizando pela luta contra a pesca predatória no rio Paraná.   
 
Argentina
Mas não é só o lago de Porto Primavera que está sofrendo com a pesca predatória no rio Paraná. Na região de Santa Fé, na Argentina, a preocupação dos ambientalistas é a forte pressão de pesca sobre o sábalo, devido à demanda do mercado internacional, por causa da desvalorização da moeda argentina.
Considerada uma iguaria na cozinha de vários países do mundo, o sábalo (Prochilodus platensis) é consumido sobretudo na Bolívia, Colômbia, Nigéria, África do Sul e no Brasil, onde recebe o nome de curimbatá. Ocorre que a espécie é fundamental na cadeia alimentar da bacia hidrográfica e o seu desaparecimento pode agravar o desequilíbrio ambiental dos nos rios, onde já há predominância de espécies exóticas em prejuízo das espécies nativas, de grande valor comercial e esportivo. 
De acordo com os pesquisadores, o sábalo se alimenta de lama  e é a base da cadeia alimentar das 20 principais espécies de valor comercial que existem no rio Paraná, como o dourado e o suburi, que se alimentam de suas larvas e ovos. Além disso, é fundamental para a reciclagem da matéria orgânica que, incorporada à lama, se torna inacessível às outras espécies. “Esta pirâmide construída sobre uma espécie é um dos poucos fenômenos desse tipo conhecidos nos rios de todo o mundo, diz o diretor da Proteger, Jorge Cappato, da ONG argentina que lidera a defesa da pesca no rio Paraná. 
Segundo ele, “há corrupção e falta vontade política para resolver o problema. O mais grave é que milhares de famílias pobres que hoje dependem do pescado, ficarão sem comida com o colapso da pesca no Paraná, o que é uma questão de tempo, opina o ambientalista. 
 
Represas  
Obviamente que a pesca predatória não é só a única responsável pelo desaparecimento dos  peixes dos rios brasileiros. As grandes barragens como Porto Primavera, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, Itaipu, a 14 quilômetros da fronteira entre Brasil e Argentina, e Yacyretá, usina binacional entre Argentina e Paraguai, cortaram as rotas de migração dos peixes de piracema. 
Para alguns ambientalistas, os elevadores de transferência e escadas de peixes são ineficientes como o caso de Yacyretá onde menos de 2% dos peixes conseguem ser transferidos rio acima pelos elevadores mecânicos. “A pesca bem conduzida poderia render benefícios para muita gente, a longo prazo, e não ser um negócio de curto prazo para poucos. Além do impacto nas comunidades ribeirinhas, estamos perdendo ótimas oportunidades de desenvolvimento turístico, ligado à pesca esportiva, no segundo rio mais importante da América do Sul, ensina Jorge Cappato. 
 
A legislação brasileira de pesca, estabelece as seguintes medidas para as espécies:
 

Nome Comum

Nome Científico

Comprimento (cm)

Apaiari

Astronotus ocellatus

20

Armado

Pterodoras granulosus

35

Curimatã, Curimbatá

Prochilodus lineatus

30

Dourado

Salminus maxillosus

55

Jaú

Paulicea luetkeni

80

Mandi

Pimelodus spp.

15

Mapará

Hypophthalmus edentatus

29

Pacu caranha, Pacu

Piaraaus mesopotamicus

40

Pacu caranha, Pacu

Salminus maxillosus

55

Pescada do Piauí/Corvina

Plagioscion squamosissimus

25

Piau verdadeiro, Piau

Leporinus aff obrusidens

25

Piau verdadeiro, Piau

Leporinus aff elongatus

30

Piauçu

Leporinus macrocephalus

38

Pintado

Pseudoplarysroma coruscans

80

Piracanjuba

Brycon orbignyanus

30

Piracanjuba

Brycon hilarii

40

Sardinha de água doce

Triporteus angulatus

 

Surubim, Cacharâ, Pintado

Pseudoplatystoma.fasciatum

80

Tambaqui

Colossoma macropomum

55

Traíra/Trairão

Hoplias malabaricus

 

Tucunaré

Cichla ocellaris

25





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