Paraná, um rio da Mata Atlântica


Djalma Weffort


Paraná, um rio da Mata Atlântica

Vegetação morta no rio Paraná atingida por formação de lago de usina hidrelétrica entre São Paulo e Mato Grosso do Sul


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O rio Paraná nasce da confluência de dois importantes rios brasileiros, os rios Grande e Paranaíba, entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (20° de latitude sul e 51° de longitude oeste).    Considerando-se em conjunto com o rio Paranaíba, seu prolongamento natural, o rio Paraná tem uma extensão de 4 mil quilômetros, o que lhe rendeu o posto de o nono rio mais extenso do mundo. É o maior rio da Mata Atlântica Sua grandeza também foi responsável pelo seu nome, de origem tupi, que significa água grande, rio que parece oceano, ‘parecido com o mar’ ou ainda, na linguagem poética dos índios, ‘irmão do mar’. 
Na sua formação, na confluência dos rios Grande e Paranaíba , o Paranazão, como também é chamado, tem largura superior a 1 quilômetro e vazão mínima de mais de 1 mil m3/s. Quando chega na foz, desaguando no delta do Paraná, no rio da Prata,a sua vazão já e de 16.000 m³/s,  comparável à de rios como o Mississippi (18k m³/s) e Ganges (16k m³/s).
A partir da confluência dos rios Grande e Paranaíba, o rio Paraná corre em território brasileiro com orientação geral sudeste por cerca de 619 quilômetros até atingir o local onde existiam as cachoeiras de Sete Quedas, uma das maravilhas do mundo natural afundadas pela barragem de Itaipu. Deste ponto, inflete para o sul, passando a fazer fronteira entre Brasil e Paraguai numa extensão de 190 quilômetros até a foz do rio Iguaçu, a partir de onde passa a ser limite, entre a Argentina e o Paraguai. 
Nas proximidades do rápido do Apipé, situado cerca de 468 quilômetros a jusante da foz do rio Iguaçu, a orientação do rio muda para oeste, direção que conserva até a confluência do rio Paraguai. Após receber seu principal afluente, penetra totalmente em território argentino, onde, com orientação geral sul, percorre mais de 820 quilômetros até pouco abaixo da cidade de Rosário.
Quase 3 mil quilômetros de comprimento
O comprimento total do rio Paraná é de 2.739 quilômetros dos quais 1.240 quilômetros em território argentino, 619 quilômetros inteiramente em território brasileiro e 880 quilômetros como limítrofe entre a República do Paraguai e Argentina ou Brasil.
Do ponto de vista da navegação e levando em conta as características principais do trecho do rio Paraná no território brasileiro pode-se citar o aspecto tranqüilo de curso d água de planície: curvas suaves, leito bem estável, grandes e numerosas ilhas e bancos de areia, declividade reduzida. É atravessado por alguns travessões basálticos, correndo porém o leito, em geral, sobre arenitos e depósitos recentes. As margens são baixas, com poucas colinas suaves.
O leito menor, que tem 3 quilômetros de largura em Guaíra e 1,2 quilômetros nos locais mais estreitos, serpenteia em um vale inundável que chega a 15 quilômetros de largura em alguns trechos.
As variações máximas do nível d água vão de 3 metros, em Guaíba, a 11 metros em Jupiá, sendo que em média atingem, anualmente, 2 e 6 metros, respectivamente, nos locais citados. A declividade média está em torno de 10 a 15 cm/quilômetros; as profundidades mínimas ao longo do canal de navegação, no mesmo período, são da ordem de 1,8 metros, atingindo em estiagens excepcionais, nos baixos do Paranapanema e Morumbi (trechos críticos) menos de 1 metro.
Do ponto de vista da navegação e levando em conta as diferentes características, do leito, pode-se dividir o rio Paraná em cinco trechos, dos quais somente o trecho do Alto Paraná - de Guaíra à confluência dos rios Grande e Paranaíba, com 619 quilômetros de extensão em território brasileiro.
Os principais limites geográficos da bacia do Alto Paraná são: ao norte as bacias do Tocantins/Araguaia e São Francisco; a leste, o maciço Litorâneo Brasileiro (Serra do Mar), ao sul da bacia do rio Iguaçu, afluente do Médio Paraná e a oeste a bacia do rio Paraguai.
Todo o Alto Paraná apresenta características morfológicas semelhantes: um rio de planície, com grande largura e numerosas ilhas.
Com a conclusão da barragem de Itaipu, no início da década,  a navegação comercial é possível no Paraná, de Jupiá até a foz do Iguaçu numa extensão de aproximadamente 670 quilômetros e em condições mais precárias até São Simão (através do rio Paranaíba) e Água Vermelha (através do rio Grande).
A barragem de Jupiá, localizada a 21 quilômetros da confluência com o rio Tietê, como também a barragem de Ilha Solteira, não dispõe de eclusas, o que impede a continuidade da navegação neste trecho de cerca de 55 quilômetros no rio Paraná. O canal de Pereira Barreto, atualmente e o aproveitamento do rio São José dos Dourados, proporcionam uma passagem para a navegação, permitindo assim a ligação entre o tramo norte e o tramo sul do rio Paraná.
Praticamente não há restrições do ponto de vista da profundidade para o tráfego de embarcações com calado até 2,5 metros entre Jupiá e Presidente Epitácio e mesmo pouco a jusante deste local, embarcações com 3,5 metros de calado, só podem, nas condições atuais, atingir Guaíra, durante 30 dias em média por ano (o calado de 3,5 metros vem sendo para o projeto das obras de caráter definitivo, no rio Paraná).
Um Corredor para o rio Paraná 
Do ponto de vista ambiental, o rio Paraná sofreu profundos impactos ambientais como a própria navegação, pesca predatória, desmatamento e construção de grandes barragens. O último grande impacto foi a formação do reservatório da usina hidrelétrica Porto Primavera, atual Engº Sérgio Motta, que inundou cerca de 160 mil hectares de várzeas e varjões entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, suprimindo ecossistemas importantes para a sobrevivência da vida silvestre e reduzindo drasticamente os recursos da biodiversidade que ocorriam nessa região. Em Presidente Epitácio, o município paulista mais afetado pela barragem, perdeu mais de 21 mil hectares de área, principalmente na Reserva Florestal da Lagoa São Paulo e foz do rio do Peixe, no distrito do Campinal.  De água corrente, o rio passou a ter águas semi-paradas, o que ocasionou grande mudança na paisagem e na reprodução das espécies de peixes nativos da bacia do Alto Paraná.
Durante anos, os municípios e a sociedade discutiram com a Cesp, empresa responsável pela construção da obra, os impactos e as perdas nas áreas das finanças públicas, socioeconomia, ambiente natural e meio físico, como deslocamento das populações atingidas, levantamento do lençol freático e solapamento das margens. Como compensação e mitigação ambiental, o empreendedor teve que construir novas estradas, escolas, hospitais, cais, parques de lazer, e, na área ambiental, criou três parques estaduais (Peixe e Aguapeí, em São Paulo e Ivinhema, no Mato Grosso do Sul) e duas RPPNs (Cisalpina, no MS  e Foz do Aguapeí, SP), além da implantação de projetos de reflorestamento em trechos da mata ciliar. 
A luta da socieade pela preservação
A luta da sociedade possibilitou ainda que fossem construídos escadas e elevadores de peixe no eixo da barragem e que houvesse o rebaixamento em 2 metros da cota de inundação, poupando mais de 40 mil hectares de ecossistemas naturais. Provavelmente um caso único na história da construção de grandes hidrelétricas no Brasil, Porto Primavera protege próximo o equivalente as áreas que foram inundadas pela usina: 130 mil hectares de parques e reservas, conforme haviam proposto os ambientalistas no início da década de 90. 
  
No trecho brasileiro, além de Porto Primavera, há a barragem de Jupiá, que está localizada a 21 quilômetros da confluência com o rio Tietê, assim como também a barragem de Ilha Solteira, enquanto na fronteira do Paraguai com o Brasil está a barragem de Itaipu, e na fronteira entre a Argentina e o Paraguai, Yaciretá. As duas hidrelétricas proveêm 99% da eletricidade do Paraguai, e fazem do país o maior exportador de eletricidade do mundo.
A floresta tropical e subtropical que antes ocupava boa parte da bacia do Paraná encontra-se largamente extinta. As áreas mais preservadas encontram-se na província argentina de Misiones e alguns fragmentos importantes no Paraguai. Por essas características, ambientalistas dos três países, unidos pelo rio e pela Mata Atlântica, estão se articulando para a criação do Corredor Transfronteiriço de Biodiverdiverside do rio Paraná para a proteção da floresta e seus ecossistemas associados. 

 

 





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