Espécie ameaçada, gavião-belo nidifica em área reflorestada

26/09/2013


Peter Mix


Espécie ameaçada, gavião-belo nidifica em área reflorestada

Adulto aporta alimento em forma de peixe (cascudo) , que acaba de apanhar na superfície d’ água


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Está fazendo um ano hoje. Ambientalistas da Apoena e amantes de aves comemoram o aniversário de um ano do nascimento de filhotes do raro e majestoso gavião-belo (Busarellus nigricollis), na foz do Córrego do Veado, em área reflorestada na Reserva Florestal dos assentamentos Lagoinha, Engenho, Porto Velho e Luis de Moraes, em Presidente Epitácio/SP.  Espécie criticamente ameaçada no Estado de São Paulo, a nidificação do gavião-belo  foi registrada pelo fotógrafo e ambientalista Peter Mix, que a partir de um pequeno bote no córrego promoveu um ensaio fotográfico com registros do ninho, dos filhotes e da ave buscando alimento para a prole. É ele quem conta: “Avistei o gavião-belo nas áreas de plantio pela primeira vez, em 2004, a cerca 1.500 metros da sua foz no rio Paraná e oito anos depois, isto é, na inesquecível manhã e tarde do dia 26 de setembro de 2012, observei a ave nidificando na margem do córrego, já bem próximo ao encontro com o nosso grande rio”, explica. Segundo ele, “o ninho estava em uma altura de aproximadamente 15 metros, em um angico, na margem direita” do córrego. O assunto foi notícia de primeira página, em 24 de janeiro de 2013, no jornal Oeste Notícias, de Presidente Prudente.
“Bater as fotos com o equipamento embarcado em canoa irrequieta, além de estar distante cerca de 30 metros da árvore portadora do ninho e das aves, quase sempre ocultadas por galhos e folhas, e pelo próprio ninho, foi um problema a mais, dificultando bastante as tomadas”, relembra. “Com a nidificação, temos prova cabal da reconstituição paulatina da biodiversidade local, que é a proposta número 1 na pauta de metas da Apoena”, acrescenta o ambientalista para quem valeu todo o esforço do registro inédito. “Ainda mais que estamos falando de uma espécie criticamente ameaçada de extinção para o Estado de São Paulo, segundo classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza, a IUCN, na sigla em inglês. “Enfrenta risco extremamente alto, devido a drenagem dos corpos d’água, poluição e perseguição humana”, acrescenta. “O retorno dessa espécie nessa região demonstra que projetos ambientais sustentáveis não só são possíveis como promovem o retorno da biodiversidade e produzem conhecimento para a ciência, a biologia da conservação e implantação de futuros projetos de reflorestamento”, complementa o ambientalista.

Gavião belo, saiba mais:
  
De porte avantajado, figura entre os maiores gaviões da América do Sul. Plumagem preponderantemente ferrugínea-alaranjada, inconfundível pela cabeça branca-creme (que lhe valeu o nome popular de gavião-velho), adornada com um colar preto (nigricollis), típico da espécie.
Asas longas e largas. Cauda notavelmente curta, plaina com facilidade horas a fio a grandes alturas. Macho e fêmea pouco se distinguem visualmente (monomorphismo sexual).
Especializado em predar peixes que afloram à superfície d’água, vale-se para esta tarefa de garras muito alongadas. Ocasionalmente captura anfíbios e pequenas aves. É encontrado em áreas com cursos d’água e pantanais permanentemente alagados.
A nidificação dá-se nos meses agosto até fevereiro, na nossa latitude (em torno do Trópico de Capricórnio). Por ninhada são chocados no máximo 3 ovos.  A disponibilidade de alimento vai determinar o número de filhotes que chegará à idade adulta. Muitas vezes apenas um ninhego sobrevive a imaturidade.
 





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