Morte de onça-pintada atropelada é grande perda, lamentam ambientalistas

Uma onça-pintada (panthera onca), macho, pesando cerca de 70 quilos, foi atropelada e morta, na última quinta-feira (23/9), na rodovia Gal. Euclides de Oliveira Figueiredo (SP 563), conhecida como Rodovia da Integração, entre os municípios de Nova Independência e Andradina, na região da Nova Alta Paulista, em São Paulo. O felino foi recolhido pela Polícia Ambiental e encaminhado para análise e pesquisa ao Setor de Patologia da Faculdade de Medicina e Veterinária da Unesp, em Araçatuba.  

O animal foi atropelado por um caminhão, na altura do Km 188 da rodovia, próximo à área de atuação da Citroplast Indústria e Comércio de Papéis e Plásticos, num ponto não muito distante do Parque Estadual Aguapeí – PEA e RPPN Foz do Aguapeí, duas importantes unidades de conservação no Oeste paulista.

Área de ocorrência original na antiga denominada Floresta do rio Paraná, a espécie não consta nos Planos de Manejo do PEA, nem na RPPN mas relatos de moradores dão conta de raríssimos e esporádicos avistamentos na região. O último registro oficial da ocorrência da espécie foi em 2017 no Parque quando pesquisadores da Fundação Florestal de São Paulo – FF encontraram pegadas e fezes nas margens do rio Aguapeí e que foram comprovadas em exames de laboratório.

Segundo o pesquisador Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, o Cenap, do ICMBio, as condições de conservação e qualidade ambiental do Parque e RPPN podem estar exercendo o papel de fonte desse felinos que saem em busca de novas áreas sob o risco de atravessar extensas plantações de monocultura e cruzar estradas de trânsito rápido. Segundo ele, “o primeiro passo, seria amostrar essas áreas de maneira mais sistemática, montar um grupo de trabalho local que contribuísse para o monitoramento de tão importante e emblemática espécie em São Paulo. Além disso, identificar possíveis locais de circulação dos animais para auxiliar no planejamento de medidas que possam reduzir o risco de atropelamentos”, diz o coordenador

Para os ambientalistas da Apoena, o desaparecimento desse exemplar é uma perda inestimável pelo que representa para a conservação e fonte genética para a recuperação da população em São Paulo. De acordo com Djalma Weffort, presidente da associação, a morte do animal se deve a paisagem cada vez mais fragmentada e a ausência dos corredores ecológicos e, de outro lado, a construção de estradas que não levam em conta a travessia de fauna.

Já a beira da extinção na região, outrora rica em água, floresta e fauna, a perda da onça-pintada  é entristecedor e representa mais um capítulo na longa história do modelo econômico predatório adotado pelas políticas públicas de Governo. “Que ao menos a morte da panthera, maior felino das Américas, terceiro maior do mundo, não seja em vão, servindo de alerta para nós, sociedade e governo, caso queiramos respeitar a natureza e deixar um legado de amor e compromisso com as futuras gerações e a vida no planeta”, conclui o ambientalista.

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Onça-pintada é o maior felino das Américas e macho pode pesar 135 kg

A onça-pintada (Panthera onca) pertence à família Felidae e é considerada o maior felino das Américas. Pode medir até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros altura. Geralmente os machos das espécies pesam cerca de 20% a mais do que as fêmeas, podendo atingir 135 quilos.  Tem pelagem amarela e manchas pretas por todo o corpo, daí a origem do nome popular. Ocorre também nesta espécie o fenômeno do melanismo, o que é comum entre os felinos. Neste caso, em vez de assumir a coloração amarela, o animal apresenta a cor preta. De acordo com a luminosidade, é possível notar também as rosetas pelo corpo. Devido à cor da pelagem, este animal recebe o nome de onça-preta.

É um felino de hábito solitário e territorial. Vive em diversos tipos de hábitat, desde que haja vegetação densa. A onça-pintada tem hábito noturno, porém pode ser avistada durante o dia, principalmente em repouso. A espécie já foi presente desde os Estados Unidos até o norte da Argentina, porém está extinta nessas regiões.

Alimenta-se de animais silvestres como catetos, capivaras, peixes, queixadas, veados, tatus e até jacarés. Quando se reproduz, a gestação pode durar até 105 dias, e geralmente a fêmea tem dois filhotes por ninhada.

Um fato que deve ser levado em consideração: as populações da onça-pintada vêm diminuindo devido ao confronto com atividades humanas, como a pecuária. A espécie é classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como vulnerável. Ocorre nas Américas Central e do Sul.

Fonte: Terra da Gente G1 – Fauna

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